Mulheres, yes, we can!

Mulheres, yes, we can!

Há muito tempo quero escrever sobre nós mulheres e o nosso espaço na sociedade. Acho que já faz uns cinco anos que tive uma conversa com uma amiga francesa que me chamou a atenção para esse tema com mais força. Ela estava a dois anos morando no Rio de Janeiro e comentou:

“A sociedade brasileira é muito dura com suas mulheres. Elas têm de estar lindas e perfeitas o tempo todo enquanto os homens podem ficar carecas, barrigudos e ir a uma festa de bermuda, regata e chinelo. Ganham menos que os homens e quando tem filhos, é difícil de conciliar a vida pessoal com a profissional porque é raro encontrar flexibilidade de horários nas empresas.”

E desde então, passei a ver que o pior é que ela tinha razão. As mulheres lutaram tanto para ter seu lugar ao sol e sem dúvida, obtiveram muitas conquistas. O direito de ir e vir, de trabalhar, de estudar (Malala ainda luta por esse direito em seu país), de votar… Só que ainda falta muito para realmente sermos vistas e tratadas em pé de igualdade com os homens.

Por que temos que ganhar 74,5% do salário de pessoas do sexo masculino que possuem os mesmos cargos que nós? Por que ocupamos somente 44% das vagas de emprego existentes no Brasil e apenas 16% dos cargos de alta liderança?[1] Por que estamos na 161ª posição entre os 186 países considerados no ranking sobre representatividade feminina no poder executivo?[2] Ainda mais se estudamos e nos qualificamos mais? – Segundo o IBGE, ocupamos 55,1% das vagas universitárias e 53,5% das de pós-graduação[1]

 

Em uma atividade que realizamos com diretores de uma grande empresa, selecionaram as poucas mulheres presentes para serem as líderes. Elas tiveram que se desdobrar, primeiro, para conseguir a atenção dos homens e serem ouvidas e, depois, para convencê-los a comprarem a solução que propunham. Fiquei perplexa com esse cenário que infelizmente retrata a realidade de muitas empresas e senti ainda mais admiração pelas mulheres que ocupam cargos de liderança. Elas precisam ser guerreiras e, muitas vezes, se provar muito mais que os homens para conquistar seu lugar ao sol.

Diversos elementos me levam a crer que a questão da maternidade ainda é um grande tabu que pesa contra nós e ainda precisa ser quebrado no mercado de trabalho. Naiyya Saggi, CEO da Baby Chacra, app indiano de apoio a gestantes e cuidados na primeira infância, e Nidhi Mathur, COO da Niramai, startup indiana especializada em soluções de diagnóstico de câncer de mama, por exemplo, afirmaram terem tido de fazer esforços extras para convencer os investidores de que conseguiriam conciliar a vida pessoal com a profissional quando engravidassem. Para Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, “a falta de referências é um dos principais obstáculos para termos mais mulheres no comando de empresas.[3]”

Nos meus trinta e poucos anos, tenho amigas do mundo corporativo que são excelentes profissionais com formações invejáveis e que, ao engravidarem, decidiram deixar os empregos. Na maioria das vezes, porque a empresa não oferece condições que permitiam o equilíbrio entre família e trabalho. Casos que ilustram o que uma pesquisa da Robert Half realizada em 2016, apontou: em 85% das companhias brasileiras, metade das profissionais deixam o emprego após o nascimento do primeiro filho.[1]

Não é a toa que o volume de buscas no Google por “MEI licença maternidade” cresceu 700%. [1] “Procurando por maior flexibilidade, muitas deixam as grandes empresas e se tornam empreendedoras.” – afirma Maria José Tonelli, professora da FGV-Eaesp.[3] Já existem até aceleradoras de startups como a brasileira B2mamy voltada para empoderar e ajudar mães empreendedoras e a HelloAlice, plataforma de inteligência artificial desenvolvida para auxiliar empreendedoras do mundo todo a entenderem mais sobre investimentos, oportunidades de mercado e networking.

E também não é a toa que as buscas por “congelamento de óvulos” aumentou 89% nos últimos cinco anos e 25% somente em 2017.[1] Uma amiga minha americana disse que é isso já é realidade nos EUA, as mulheres da geração Y se casam por volta dos 35 porque até essa idade, focam seus esforços nos estudos e na carreira, buscando então a opção de congelar os óvulos para garantir a possibilidade de ter filhos mais tarde.

Se dar ao luxo de congelar os óvulos para postergar a maternidade ou ter filhos e deixar o emprego, porém, são escolhas que nem todas nós podemos fazer.

Você já deve ter ouvido falar de casos de pessoas que chegam aos seus 45-50 anos se deprimirem por terem deixado de lado a vida pessoal para investir exclusivamente na carreira. É realmente preciso sermos 8 ou 80?

Há algumas empresas que estão enxergando essa grande falha e começando a transformá-la em oportunidade. A VP mundial de Marketing da Avon, a brasileira Danielle Ribas, compartilhou: “Descobri que estava grávida durante as entrevistas. Foi uma loucura. Quando contei minha preocupação à minha chefe em Nova Iorque, ela me acalmou dizendo: ‘Somos uma companhia para a mulher. Se não conseguimos cinco meses de licença-maternidade, temos um problema enorme’” [4].

Coincidentemente, uma amiga que também participava de um processo seletivo para entrar no Grupo Boticário me contou que falou abertamente em uma das entrevistas que pretendia engravidar em breve. O que não foi nenhum empecilho para a contratação. Hoje, ela está gravidíssima, feliz e segura de que voltará da licença maternidade motivada por estar em uma companhia que consegue entender as suas necessidades pessoais também.

Esse olhar mais inclusivo e empático, felizmente, já está alcançando companhias que não são voltadas para o público feminino. A Johnson & Johnson do Brasil, por exemplo, também está criando um comitê voltado para discutir e fomentar o empoderamento da mulher, trazendo condutas que atendam e retenham melhor os talentos femininos.

No meu ponto de vista, essa mudança de comportamento faz total sentido porque, além das mulheres terem mais estudo, o Brasil sofre com a falta de mão de obra qualificada: 47,3% das empresas tiveram dificuldades de contratação e 53% delas acreditam que o Brasil tem uma oferta média de mão de obra qualificada e somente 19% creem em uma alta oferta.[5]

Não somente o mercado de trabalho possui paradigmas a serem vencidos. Nós também podemos agir, começando com a educação de nossos filhos. Este vídeo abaixo me faz questionar se nascemos já sabendo discriminar ou somos ensinados a pensar de forma discriminatória?

 

Também penso que dentro de casa, as tarefas devem ser distribuídas de forma mais igualitária para que possamos tanto marido quanto mulher termos o mesmo tempo para dedicar à família e à carreira. Em casa, por exemplo, fui delegando cada vez mais tarefas ao maridão e, hoje, dividimos os afazeres domésticos de forma mais equilibrada e sem sobrecarregar ninguém. Minha mãe que via tudo isso de fora, dizia que eu era malvada, mas agora, também está delegando algumas funções ao meu pai! Hehehe Justo! Direitos e deveres iguais!!

E, por fim, creio que SIM, nós mulheres devemos nos ajudar (sem excluir os homens, pois nós nos complementamos!) redesenhando a forma de pensar e agir em relação aos colaboradores do sexo feminino nas empresas, flexibilizando horários e regras, contratando mais mulheres e oferecendo oportunidades e salários igualitários para todos os gêneros.

 

 

 

Temos muitas mulheres brilhantes para desperdiçarmos por conta de regras extremistas e ultrapassadas! Você não acha?

Conte para a gente o que você pensa, o que você e sua empresa tem feito para combater a disparidade entre os gêneros! Vamos adorar saber e compartilhar! ; D

Fontes: [1] https://www.thinkwithgoogle.com/intl/pt-br/tendencias-de-consumo/mulheres-e-o-mercado-de-trabalho-os-desafios-da-igualdade/ | [2] https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/27/politica/1522181037_867961.html | [3] Revista Pequenas Empresa & Grandes Negócios de março/2018 | [4] Revista Marie Claire Brasil de dezembro/17 | [5] http://diariodocomercio.com.br/noticia.php?id=166306

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